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Lucro Presumido vs Lucro Real: Qual Regime Escolher?
Wanderleia Schoffer

Wanderleia Piola Schoffer
CEO e Fundadora — Schoffer Contabilidade
📅 24 de abril de 2026    ⏱ 8 min de leitura    📂 Lucro Presumido vs Lucro Real

A Escolha do Regime Tributário Pode Definir o Futuro Financeiro da Sua Empresa

Todo ano, entre outubro e dezembro, empresários de todo o Brasil se deparam com uma das decisões mais estratégicas do planejamento tributário: a escolha do regime de tributação para o exercício seguinte. E, na maioria das vezes, essa decisão é tomada sem o embasamento necessário — o que pode custar dezenas ou até centenas de milhares de reais em tributos pagos a mais.

Como CEO de uma contabilidade que acompanha empresas de diferentes portes e segmentos há mais de uma década, posso afirmar com segurança: não existe regime tributário universalmente melhor. O que existe é o regime mais adequado para o perfil específico de cada negócio. E entender as diferenças entre o Lucro Presumido e o Lucro Real é o primeiro passo para fazer essa escolha com inteligência.

O Que é Lucro Presumido?

O Lucro Presumido é uma modalidade simplificada de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Nesse regime, o Fisco presume qual seria o lucro da empresa com base em um percentual fixo aplicado sobre a receita bruta, sem considerar os custos e despesas reais do negócio.

Esses percentuais variam conforme a atividade exercida. Para fins de IRPJ, os mais comuns são:

Sobre o lucro presumido apurado, incidem as alíquotas de 15% de IRPJ (com adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20.000 mensais) e 9% de CSLL. Além disso, o PIS e a COFINS são calculados de forma cumulativa, com alíquotas de 0,65% e 3% sobre a receita bruta, respectivamente.

Para optar por esse regime em 2026, a empresa deve ter auferido receita bruta total de até R$ 78 milhões no ano anterior, conforme o limite estabelecido pela legislação vigente (Lei nº 9.718/1998, com atualizações posteriores).

O Que é Lucro Real?

O Lucro Real é o regime em que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é o lucro contábil efetivo da empresa, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação tributária. Em outras palavras, o imposto é calculado sobre o que a empresa realmente ganhou, descontadas as despesas dedutíveis.

Nesse regime, o PIS e a COFINS passam a ser calculados pelo sistema não cumulativo, com alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente — porém com direito a créditos sobre insumos, mercadorias adquiridas para revenda, energia elétrica, aluguéis e outros itens previstos em lei.

Algumas empresas são obrigadas a adotar o Lucro Real, independentemente de qualquer escolha, como:

Para as demais, é uma opção que pode ser extremamente vantajosa, dependendo do perfil financeiro do negócio.

Lucro Presumido vs Lucro Real: Comparativo Prático

A melhor forma de entender a diferença entre os dois regimes é com números reais. Vamos usar dois exemplos práticos.

Exemplo 1: Empresa de Prestação de Serviços com Margem Alta

Imagine uma consultoria empresarial com receita bruta anual de R$ 2.400.000 e despesas operacionais de apenas R$ 600.000, resultando em um lucro real de R$ 1.800.000.

No Lucro Presumido:

No Lucro Real:

Nesse caso, o Lucro Presumido é claramente mais vantajoso. Quando a margem de lucro real é muito superior à margem presumida pela legislação, esse regime protege a empresa de uma tributação excessiva.

Exemplo 2: Indústria com Margem Apertada

Agora considere uma indústria de alimentos com receita bruta de R$ 5.000.000 e custos e despesas totais de R$ 4.700.000, resultando em um lucro real de apenas R$ 300.000.

No Lucro Presumido:

No Lucro Real:

Aqui, o Lucro Real representa uma economia expressiva. Empresas com margens baixas ou com alto volume de despesas dedutíveis tendem a ser mais beneficiadas por esse regime.

Fatores Determinantes na Escolha

Além da margem de lucro, existem outros fatores que devem ser avaliados criteriosamente antes de definir o regime tributário:

1. Regularidade das Receitas

Empresas com receita muito sazonal ou irregular podem se beneficiar do Lucro Real, especialmente na modalidade de apuração trimestral ou por estimativa mensal. Se em determinado período a empresa opera com prejuízo, esse resultado pode ser compensado nos trimestres seguintes, reduzindo a base de cálculo futura. No Lucro Presumido, o imposto é sempre calculado sobre a receita, mesmo que a empresa tenha tido prejuízo real.

2. Volume de Créditos de PIS e COFINS

Essa é uma das questões mais subestimadas pelos empresários. No regime não cumulativo (obrigatório no Lucro Real), é possível tomar créditos sobre uma série de itens. Para empresas que compram muito insumo, mercadoria para revenda ou pagam aluguéis e energia elétrica em volume significativo, esses créditos podem reduzir drasticamente a carga de PIS e COFINS.

3. Complexidade e Custo de Gestão Contábil

O Lucro Real exige uma escrituração contábil muito mais rigorosa e detalhada. O SPED Contábil, o SPED Fiscal e o ECF precisam estar completamente íntegros e consistentes. Isso demanda profissionais qualificados e, em muitos casos, sistemas de gestão mais robustos. Esse custo adicional precisa entrar na conta na hora de comparar os regimes.

4. Planejamento de Distribuição de Lucros

Tanto no Lucro Presumido quanto no Lucro Real, os sócios podem distribuir lucros com isenção de Imposto de Renda na fonte, desde que respeitadas as condições legais. No Lucro Presumido, a distribuição isenta é limitada ao lucro presumido apurado. Caso a empresa queira distribuir valores superiores, precisará demonstrar contabilmente que o lucro real é maior — o que exige uma contabilidade impecável de qualquer forma.

Erros Comuns que os Empresários Cometem

“A escolha do regime tributário não pode ser feita por intuição ou por costume. Ela precisa ser feita com base em projeções financeiras concretas e análise técnica especializada.”

Entre os erros mais frequentes que observo na prática, destacam-se:

O Momento Certo para Fazer a Opção

A opção pelo regime tributário em 2026 foi definida com o pagamento da primeira quota do DARF de IRPJ ou com o pagamento da primeira quota do Simples Nacional, em janeiro. Uma vez feita a opção, ela é irretratável para todo o ano-calendário, salvo exceções previstas em lei.

Por isso, o planejamento tributário deve começar no último trimestre do ano anterior. Com base nos resultados reais dos últimos 12 meses e nas projeções para o período seguinte, o contador deve elaborar uma simulação comparativa detalhada, considerando todos os tributos envolvidos: IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e, quando aplicável, a contribuição previdenciária patronal.

Quando o Lucro Presumido Tende a Ser Mais Vantajoso

Quando o Lucro Real Tende a Ser Mais Vantajoso

A Importância de uma Análise Individualizada

Não existe fórmula mágica. O que funciona perfeitamente para um escritório de advocacia pode ser um erro grave para uma distribuidora de alimentos. Cada empresa tem sua própria estrutura de receitas, custos, margens e perspectivas de crescimento — e é exatamente esse conjunto de variáveis que deve guiar a decisão.

A escolha do regime tributário é uma das intervenções de maior impacto que um contador pode fazer na saúde financeira de uma empresa. Quando bem feita, ela não é despesa — é investimento com retorno mensurável. Quando negligenciada, é dinheiro que vai diretamente para o caixa do governo, sem necessidade.

Minha recomendação sempre foi a mesma: não deixe essa decisão para a última hora e não a tome sem dados concretos. Reúna-se com seu contador, apresente os números reais do seu neg

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